Meio intelectual
Quando alguém se lança a fazer música no Brasil e tem a pretensão de receber o selo de música boa, tem que torcer para que alguns dinossauros da nossa música ouçam as suas e as aprovem. A opinião deles é fundamental para o sucesso ou derrota da carreira musical de um artista novo. Seja via vídeo no Youtube ou por entrevistas, está lá a mídia de ouvidos e olhos bem abertos ao que eles vão dizer para saberem em quem apostar. Dentre os que eu ouço, isso aconteceu com Roberta Sá, Teresa Cristina e mais recentemente com Maria Gadú.
O Brasil se acostumou a dedicar a alguns artistas a estampa de que eles são indiscutivelmente intelectuais, e, a ausência de um senso crítico na maior parte dos brasileiros permite com que a propaganda da mídia ao redor dessas figuras tenha efeito positivo.
Chico Buarque é uma grande exceção a isso tudo. Começando pela eterna inimizade entre ele a mídia brasileira. Um intelectual que se preze jamais faria o jogo daqueles que apoiaram a ditadura que o exilou. Mas a exceção não fica só por conta disso. Chico mantem-se extremamente influente em quase todas as gerações da sociedade brasileira mesmo sem quase nenhum espaço na mídia convencional.
No outro grupo eu aponto como líder um artista supervalorizado que ultimamente tem feito mais barulho midiático que arte musical, como costumava fazer antigamente. Caetano Veloso meteu-se a ser crítico dos novos artistas e, infelizmente, sua opinião duvidosa e, talvéz, manipuladora, influencia em quem deve ser alçado ao sucesso ou ser fadado ao fracasso. Mas até então, sem problemas, mal ou bem ele tem anos de carreira e sua experiência tem até relativo peso.
O problema é quando começa a falar do que não sabe. Veloso atreveu-se a falar de política e a cada episódio tem se saído pior. Falar mal do Lula, ainda que não me agrade, é aceitável, sobretudo em uma democracia que supostamente está aberta ao debate. Mas usar de argumentos pessoais para uma crítica política vai contra as mais simples regras da língua. A retratação ficou horrível.
Que Caetano, pelo menos, continue no seu medíocre papel de crítico musical. Há quem ele consiga enganar e respaldo na mídia. Mas se for falar de política, que pense bem, pois as emendas estão piores que o soneto.