Presente de grego
Para 2010 os economistas brasileiros preveem um crescimento para o Brasil de, em média, 6%. O mais pessimista admite uma taxa de 4,5%, o que já é bastante alto para um contexto internacional de fins de crise. Quando todos estavam no cume do abalo econômico, o Brasil já estava levantando, sacudindo a poeira e dando a volta por cima.
A recuperação brasileira fez, assim, desta economia um lugar seguro para investimentos. Somados a isso estavam a confiança nas nossas instituições, a popularidade do nosso presidente entre outros quesitos. E assim será. Lula ganhou de presente o melhor desempenho econômico desde o milagre da ditadura no último ano de sua era. Com a eleição no meio do ano fica mais fácil de Lula eleger que ele quiser.
Ontem também saiu o desempenho de Outubro. É o décimo mês de crescimento da produção industrial, puxado pelo consumo interno, alavancado pela isenção de IPI - expresso nos setores automobilísticos e de eletrodomésticos. Mas o mais surpreendente foi o crescimento da indústria de bens de capital - a que fabrica peças. O que mostra que o crescimento do Brasil busca uma sustentação por si só.
No entanto, um crescimento tão rápido não conseguirá ser acompanhado pela produção industrial, e já para o fim do ano que vem o Banco Central anunciou suas previsões para a taxa de juros, que deverão voltar ao patamar de antes do início da crise e que incomodava muitos setores da economia. Os juros altos sufocam o crescimento e por isso são extremamente antipopulares, sobretudo em ano de eleição, mas se não forem adotados, a economia brasileira afundará no lodaçal da inflação que já seria danosa já em 2011.
2009 foi um ano e tanto para o presidente Lula. Ganhou olimpíada, crescimento, mais reconhecimento e prestígio, e até uma cinebiografia. Em ano eleitoral o presidente talvéz abra mão da liberdade dada ao Banco Central até então e a falta de cuidado pode trazer uma surpresa desagradável de dentro deste cavalo.