terça-feira, 28 de julho de 2009

Serra Leoa

Estou terminando de ler um livro sobre a história de uma garoto que foi recrutado pelo exército nacional de Serra Leoa durante a guerra civil que acabou com o país de colonização britânica. A guerra, que durou mais de uma década, marca o século XX com a criação de terríveis fenômenos, como o das crianças soldado, as primeiras imagens de crianças esqueléticas com cabeças e barrigas enormes que nos vem à mente quando se pensa em África e a mutilação em larga escala da população.

Nesse livro (Muito Longe de Casa - Memórias de um Menino Soldado), Ishmael Beah conta como foi fazer parte dessa maluquice: matar milhares de pessoas, ser viciado em todo o tipo de drogas ainda muito antes dos 15 anos de idade e ter pedido toda a sua infância. Depois de anos de guerra e lavagem cerebral, Ishmael foi recolhido por um grupo da Unicef que tratou de livra-lo das drogas e dos pesadelos gerados pelos horrores da guerra. Partiu para Nova Iorque onde estudou e escreveu seu livro.

Serra Leoa encontra-se pacificada desde 2002 e está reconhecidamente estável politicamente desde então. É um país com uma riqueza incrível em diamantes mas é um dos países mais pobres e miseráveis do mundo. A guerra civil, além de deixar milhares de mutilados, fez fugir para os países vizinhos um contigente estimado em meio milhão de habitantes. Para a manutenção da guerra, o ex-presidente da Libéria, Charles Taylor, teve um papel fundamentalíssimo, em que traficava diamantes extraídos em Serra Leoa em troca de armamentos para os rebeldes que haviam dominado importantes jazidas.

Para se ter uma idéia, o tráfico pelo qual o presidente da Libéria foi responsável movimentou tantas pedras que o mercado teve de se adequar à excessiva oferta para que não afetasse os preços. Charles Taylor começou a ser julgado pelo Tribunal Penal Internacional e deverá ter sua sentença no fim do ano que vem.

Recomendo o livro de Ishamel Beah que é ótimo para se ter uma idéia de como é a vida de dentro da batalha, diferente do ponto de vista a partir do comércio de diamantes do filme Diamante de Sangue.


segunda-feira, 27 de julho de 2009

Recovering

O Zimbábue nos últimos dois anos foi assolado por uma terrível crise política que rendeu a maior taxa de inflação á registrada na história mundial, milhões de refugiados, pandemia de cólera e uma pobreza que parecia não ter solução. O Zimbábue parecia ter sido entregue ao caos em que pensamos ao idealizarmos a África. A ditadura maluca de Robert Mugabe foi o principal ingrediente para transformar o país que era chamado o celeiro africano, com a agricultura mais forte e a economia mais desenvolvida do continente há algum tempo atrás, num imenso mendigo regional e até uma ameaça global.

Em fevereiro de 2009, Mugabe, depois de muita pressão internacional, formou um governo de união com seu principal opositor e, depois de algumas duras reformas econômicas e políticas - que vem a passos curtos -, finalmente conseguiu fazer o Zimbábue voltar a atrair investimentos externos, mas isso é só o começo de uma retomada.

O continente africano vagava no marasmo da internet lenta. Mesmo países mais avançados como África do Sul e Quênia não possuíam expressivos acessos de banda larga que não fosse por satélite, que além de muito caro era bastante deficiente. Semana passada, os países do Leste - onde ve-se bastante desenvolvimento, principalmente por conta do petróleo - conectaram-se com a África do Sul que, através de um cabo submarino, conecta esse grupo de países à Inglaterra. E no esquecido Zimbábwe que reergue-se a duras penas, A Ericson anunciou ontem que levará a internet rápida para lá e que pretende expandir em 400% o número de assinantes até o fim do ano que vem.

Há muito o que se fazer. O governo diz que precisa de $10bi para reconstruir estradas, hospitais e escolas dilapidadas. Os salários estão baixos e o governo tenta conter a fuga de cérebros do país. Porém, o retorno do setor de telecomunicações - que assim como qualquer outro setor passou péssimos momentos durante a hiperinflação - ao Zimbábue é o sinal de que o país está comprometido com o desenvolvimento. Uma pena, porém, que isso possa mascarar um sucesso de Mugabe e tornar ainda mais impensável um julgamento pelo TPI de seus crimes brutais cometidos em seu país.

domingo, 26 de julho de 2009

Ode

Tem uma coisa em morar no Rio que é incrível e da qual eu sempre falei: essa cidade está sempre disponível para que você a redescubra. Lugares que as pessoas idealizam são legais da primeira vez mas depois perdem o encanto e locais tão banais que você conhece há séculos e por onde já passou diversas vezes são capazes de proporcionar algumas horas dignas de memória.

Eu não gosto de falar de como foi meu dia aqui no blog, mas o post de hoje seria uma espécie de ode à minha cidade. Na Lapa, alguns bares são bastante valorizados e é bem possível ter bastante diversão por lá, especialmente na companhia das pessoas certas e disposto a se gastar algum dinheiro. Mas saindo de lá, é possível ir a diversos mundos tão próximos e tão distantes e se divertir.

E se há algo que distingue o Rio de tantas outras cidades - e só não digo de todas porque seria bastante pretensão - é a dicotomia reinante na cidade que vai além do fato de uma metrópole dividir espaço com um balneário. Depois do badalado, do high, do under, do - digamos - promíscuo, do moderno e de tudo o que se pode encontrar no centro do Rio, a sensação bucólica de pegar o primeiro bonde para Santa Teresa e tomar café na simplicidade dos anos 50 e voltar para casa quando todos parecem estar acordando para o domingo.

O Rio é ótimo porque o Rio é tudo.

domingo, 19 de julho de 2009

Kuroshio Sea - 2nd largest aquarium tank in the world.


(clique no link e veja em tamanho maior no site de origem).

sábado, 18 de julho de 2009

Fotografia

Para quem, como eu, é apaixonado por fotografia, esse mês está especial no Rio de Janeiro.

- O Instituto Moreira Salles abriga a exposição do fotográfo Robert Polidori sobre lugares arrasados por guerras, catástrofes ou acidentes nucleares, e assim também como aglomerados urbanos sem planejamento como algumas cidades asiáticas e a Rocinha.

- O Castelinho do Flamengo está com uma exposição muitíssimo interessante: Milhões de Lulas. O fotógrafo oficial do Planalto, Ricardo Stuckert, expõe 80 fotos do presidente Lula desde sua campanha presidencial.

- Por último, o Rio de Janeiro sedia pela quarta vez o FotoRio, festival de fotografia em vários centros culturais pela cidade, mas concentrado no Centro Cultural dos Correios, que também está abrigando o AnimaMundi2009.


Morar na capital cultural do país tem lá suas vantagens.
Médio

Eu nunca fui muito fã das férias do meio do ano. Na verdade, eu sempre fui tão neutro em relação a elas que não tem nenhuma que me tenha sido memorável. Nunca consigo me planejar para uma viagem, o Rio de Janeiro para quando os termômetros estão abaixo dos 30 e ir à praia sempre aparece como uma idéia abstrata. Nesse ano, no entanto, elas deverão ser um pouco diferente já que a faculdade tem estado cada vez mais apertada e eu acabo me dedicando cada vez mais aos amigos de lá. Então, as férias de Julho desse ano prometem ser para matar saudades - espero.

Sendo assim, minha lista de afazeres inclui nomes próprios mas, ao contrário das outras coisas que lá estão, pretendo vê-los ticados antes do primeiro dia de aula. As minhas listas tradicionalmente são feitas e quase nunca são completamente cumpridas. Nessa primeira semana de férias - que, para fazer jus ao que eu disse anteriormente, não teve nada de especial - os únicos itens riscados foram realizados antes de eu escreve-los lá. Falso alívio na consciência para os dias preguiçosos em que me dedico a fazer nada.

sexta-feira, 17 de julho de 2009



Jet - Move On

domingo, 12 de julho de 2009

Arte graffiti

Fotografia + arte + África
Falando sério

O crescimento econômico a que todos olham com louvor na China está começando a esbarrar na questão democrática do país. É inegável que nos últimos meses há uma intensificação desses conflitos. Todos se lembram nas Olímpiadas quando os famosos tibetanos foram violentamente massacrados após protestarem na província do Tibet. Essa semana os noticiários - não tanto aqui pelo Brasil - foram tomados pelo conflito da província de Xinjiang quando a minoria Uigure rebelou-se, principalmente, por não estarem participando do processo de desenvolvimento econômico chinês. Novamente, o protesto foi violentamente abafado pelo governo de Pequim.


A base central do problema está na generalização cultural perpetuada pelo governo central chinês que trata seu país como basicamente pertencente a etnia han e pontuado por minorias exóticas ao longo da fronteira, ignorando a enorme diversidade linguistica e cultural entre o povo e até mesmo dentro da etnia han. Especialistas dizem, também, que o futuro reserva um aprofundamento do abismo entre os diferentes povos com desaquecimento econômico, crescimento desigual e centralização política cada vez mais forte.

O projeto marxista chinês de integração nacional era fundamentado, basicamente, na união entre todos os povos residentes da China - 91% da população é da etnia han e 9%, ou 104 milhões, são de minorias étnicas - segundo o qual os han eram elevados a vanguarda da integração de desenvolvimento econômico quando comparados às "atrasadas" e "primitivas" minorias chinesas. É esse motivo de a China ser avidamente contra a libertação de regiões etnicamente minoritárias de seu território.

Tudo isso esbarra com o fato de os territórios de tais etnias serem assentados sob grandes riquezas minerais e de não haver um governo democrático em que todos tenham acesso ao poder, centralizado nas mão dos han autoritariamente assumidos como homogêneos.

Com o surgimento da tensão política em Xinjiang, durante a reunião do G8 na Itália, o presidente chinês voltou às pressas à China para lidar com a situação, dando à comunidade internacional a impressão de que os conflitos internos ameaçam cada vez mais a integridade econômica e territorial. Há uma crescente preocupação de que Pequim comece a intervir mais fortemente contra populações rebeldes uma vez que o governo proíbe cobertura internacional jornalísticas de tais acontecimentos.
Autopiedade

A um passo das férias começou o meu domingo frio e cinzento de inverno carioca. Falta terminar minha metade do último trabalho do semestre e, enfim, declarar-me merecidamente de férias. Minha lista de afazeres está pronta e dessa vez tá enorme, o que me dá cada vez mais a certeza de que eu não farei metade do que me comprometi a fazer, ainda mais que estou sem a habilitação, já que, vergonhosamente, perdi a carteira em um bar e muito do que tenho a fazer dependeria de ir de ônibus - o que me reforça a certeza anterior de que metade da tal lista ficará sem solução. Hoje sonhei que saía a nota de Direito Internacional e que eu não conseguia fazer o simples cálculo de somar e dividir por 2 para achar a média. Realmente amedrontador.


Não tenho grandes planos para as férias. Não tenho viagem planejada, o dia hoje me tira a esperança de ir a praia converter a brancura da minha pele e a grande maioria dos meus amigos não estará no Rio. Como eu sempre digo em início de período, semestre que vem vai dar merda. Mais matérias na grade, um curso novo e a manutenção de tudo o que eu já fazia. Esse semestre que termina eu me permiti uma ampla margem de folga nos horários, já que durante a vida inteira eu fui atolado de cursos, escolinhas e atividades - e até uma segunda faculdade. Mas nesse semestre que se inicia eu não tive autopiedade. E por falar em autopiedade, quem quiser me levar de carro pra cumprir a minha lista será de muito bom grado.

sexta-feira, 10 de julho de 2009




Pow


Obama in my Chevy

Que o presidente americano tem o sorriso mais carismático de toda a história não é dúvida para ninguém. E a última semana deve ter sido motivo para muito sorriso de Obama. Primeiro foi muito elogiado por convocar uma reunião de líderes do G8 para discutir sobre mudança climática, pondo mais terra sobre a cova de Bush, que não reconhecia nenhum argumento científico quanto ao aquecimento global. Além disso, conseguiu, enfim, estabelecer uma meta de alteração de 2°C estabelecendo índices de redução de gases poluentes. Como se não fosse o bastante, fez com que países como Brasil, Índia e México não mencionassem o argumento de chutar a escada - pelo qual dizem que os países centrais usam o clima para evitar que os periféricos cresçam.

Segundo, a GM saiu da concordata e anunciou uma nova empresa, menor e estatal. Obama era praticamente o único que apostava no seu pacotão de ajuda e conseguiu salvá-la - mesmo tendo que demitir quase 23 mil empregados. A centenária montadora ressurge das cinzas, sacode a poeira e levanta mais ainda a moral de Obama, que afirmou que a empresa será mais eficiente e mais verde. Não me surpreenderia se remodelassem o Chevy Lincoln rebatizado.
Para francês ver

Essa semana eu tive prova de Política III na faculdade e, assim como aconteceu em Política I e II, eu deixei para aprender toda a matéria na última semana. Uma das matérias, alias, era sobre democracia e um simpático filósofo francês chamado Aléxis de Tocqueville. Vale a pena ler sobre ele - em política, só leia quem leu o filósofo.

Tocqueville, em suas andanças pelos Estados Unidos, tomou nota sobre o desenvolvimento econômico aliado ao desenvolvimento da democracia, então única no mundo. O que importa para esse post foi sua constatação que a liberdade e a igualdade entre os homens devem desenvolver-se juntas. Se não dá merda. Dizia também que o socialismo, por exemplo, dá igualdade mas não a liberdade, o que me levou ao outro ponto central desse post.

Essa semana, no outro lado do mundo, na China, a minoria étnica muçulmana uigure foi imensamente massacrada pelo governo central que, apesar de anunciar 156 mortos, segundo especulações internacionais, matou entre 400 e 600 pessoas. Alertados pelo Irã, Pequim bloqueou todas as comunicações via telefones e internet para coibir protestos e proibiu qualquer tipo de cobertura jornalística internacional. Tá crescendo, mas tá dando merda.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Falo mesmo



Sabe aqueles cantores que cantam momentos da sua vida?

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Arte

Eu adoro discutir se graffiti é arte ou não. Na minha opinião, assim como qualquer outro tipo de arte, o graffiti tem um estilo e depende de como é feito. Portanto, assim como eu gosto muito da arte "normal" mas tenho algumas ressalvas quanto a alguns estilos, eu gosto muito de graffiti, mas prefiro os desenhos mais simples. Há uns três anos atrás eu conheci pela televisão o trabalho dos Gêmeos, que ficaram famosos no Brasil depois da exposição no Centro Cultural Banco do Brasil, aqui no Rio de Janeiro, e vi que a arte do graffiti está realmente na simplicidade.

Ainda no Rio de Janeiro, perto da área do Porto / rodoviária, eu via uns desenhos nos muros que me chamavam bastante a atenção mas eu nunca tinha pensado que pudessem fazer parte de uma sequência. Hoje, no NotCot.org, para a minha surpresa, eu vejo esse link: As Aventuras de Zé Ninguém e Cão Viralata, com os tais desenhos que me chamavam a atenção.

E por falar em arte, acabo de chegar da exposição - coin
cidentemente também no Centro Cultural do Banco do Brasil - sobre a arte russa na virada do século. Recomendo. Sobretudo para aqueles que acham (assim como eu achava) que a Rússia não passa de um país completamente cinza.

(Promenade, de Marc Chagall, eu olhei esse quadro e quis ele imediatamente na minha casa)