sábado, 29 de agosto de 2009

Não tem explicação



Não tem... não tem.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Urgh

Tem dias em que tudo parece dar errado, as pessoas parecem irritadas com você e você com o mundo. O mundo não parece um bom lugar, os taxistas dirigem pior, o estacionamento do shopping está lotado e os óculos que você foi buscar não ficaram bons. Seu pai mela em 2 minutos uma organização que você levou mais de um ano para fazer. Aí sobe aquela vontade de pegar uma bomba e acabar com tudo.

Na minha agenda faltam algumas folhas e isso serve para me lembrar dos dias em que eu cheguei em casa e arranquei-as para nunca ter que me lembrar desses dias.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Castelo

"Tudo que é sólido se desmancha no ar". Não leio Marx há um bom tempo pra faculdade, mas ele sempre vem à tona. Concorde você ou não, lá está ele dizendo que o capital é ruim ou que mesmo algo, por mais que pareça duradouro, acaba. Tentei encontrar outras frases que expressassem isso. Pensei na Cássia Eller e, por mais que o pra sempre sempre acabe, essa frase já virou clichê.

Com apenas 22 anos eu já aprendi a lidar muito bem com mudanças e ilusões. A vida às vezes é madrasta mas sempre é boa professora. Burro daquele que é incapaz de perceber que da perda surge, pelo menos, o aprendizado de como lidar com tal situação, além das novas oportunidades que ficam por vir. Aprendo a cada dia que os sóis e os castelos de 5 ou 6 retas que eu desenho em uma folha qualquer se descolorem com o tempo. Desbotam. Desmancham. Mas no final, não desejo mal a (quase) ninguém.

Boa noite para você que lê essas bobagens. As referências utilizadas nesse post foram tiradas das músicas que meu vizinho está ouvindo agora, que me tiraram dos estudos e que me puseram em mais uma reflexão filosófica barata.

domingo, 23 de agosto de 2009

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Papai Noel,

Eu sei que ainda está longe, mas eu prometo ser um bom rapaz a partir de hoje se você me der uma FujiFilm FinePix Real 3D W1.

Com carinho,

Carlos Raffaeli

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Choque de cultura

No interior da África muitas culturas tribais mantem a crença da divindade da vaca. Não podem ser tocadas ou pertubadas, são consideradas sagradas e são personagens de inúmeros rituais. Mas interessante deve ter sido a cara de Hillary Clinton, em visita ao Quênia, quando recebeu a proposta de um vereador daquele país de, como dote para a permissão para casar-se com a filha dos Clinton, ofereceu um punhado de vacas e cabras.

- Frankly, my dear, I don't give a damn.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Back2Black

Um festival sobre a cultura africana e a brasileira que vai acontecer no Rio de Janeiro, na Leopoldina. Rapidamente já comprei meu ingresso para o dia 30 de Agosto, o mais interessante dos 3 dias do festival. Tem palestra mediada por Alberto Costa e Silva, um dos maiores africanólogos do Brasil e que deu o nome ao centro de estudos que eu tentei criar - ou estou criando, não sei bem ao certo - na UFF; tem participação de Gilberto Gil - o que eu não sei se me anima ou não; e tem show da Omara Portuondo!

Acho que desde o show do Oasis que eu não me animava assim com um evento.

www.backtoblackfestival.com.br
Shop

Comprar tirou os Estados Unidos da crise de 29. Levou-os, também, à crise do ano passado, porém. Bush foi enfático após o 11 de Setembro: COMPREM!, para que o medo não instalasse uma crise de superprodução.

Em tempos de consciência ambiental e crise mundial, o consumo virou vilão. Mas se tem alguém que continuará fazendo campanha para que as pessoas continuem comprando, é a italiana que tava em Nova Iorque e não entrou no helicóptero que seu marido alugara de presente de bodas de prata de seu casamento e colidiu com um monomotor no rio Hudson. Preferiu bater perna e checar as vitrines.

sábado, 8 de agosto de 2009

Experiências Antropológicas

Todo mundo deveria passar por elas. Rs

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Far West

Brasileiros que possivelmente nem sabem que são brasileiros - ou o que isso significa.

(Do twitter de @RomuloFabris)

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Gabriel Buchman


Desde pequeno eu raramente sabia os nomes dos integrantes das bandas que eu gostava, não tinha um ator preferido tampouco acompanhava de perto nem a Liga da Justiça. Não costumava saber das séries, das novelas ou ter paixão por algum filme. Com algumas poucas excessões, nunca fui de ter amizades longas e duradouras e muito de vez em quando me interessava por alguma biografia específica. A psicologia diz a importância que os ídolos tem na formação da nossa personalidade e que nossos pais são os primeiros em que nos espelhamos na vida. Depois, então, os ídolos.

No entanto, eu coleciono algumas pessoas das quais alguns pequenos detalhes eu admiro bastante. Não o suficiente para haver, de certo modo, uma dedicação, para se tornarem meus ídolos. Na verdade, eu descreveria minha personalidade como uma colcha de retalhos de características de pessoas que passaram por mim e de quem eu fiz questão de copiar pequenos detalhes sem me importar com nomes ou com a pessoa em si. Basicamente isso: eu nunca soube quem eu sou, mas sempre soube quem eu queria ser.

Acontece que hoje, pela internet, descobri que uma pessoa cuja existência eu conheci há pouco tempo e pela mídia, mas com quem eu nunca cheguei nem perto de travar qualquer contato, veio a falecer.

Gabriel Buchman era formado em economia e estava prestes a começar um doutorado nos Estados Unidos sobre soluções econômicas para povos miseráveis e, para se preparar, tirou um ano para rodar a África e a Ásia, convivendo com tribos que mal tiveram contato com as civilizações europeizadas de seus países. Gabriel morreu no monte Mulanje, no Maláui de causas ainda desconhecidas. Tentava mostrar que a África tem solução e que o estereótipo de violência, em muitos casos, é furado. Como disse o blog Pé Na África, o mundo precisa de mais pessoas iguais a ele. Segue abaixo a carta dele à sua família:

“Caríssimas mamãe, namorada e João, meus grandes parceiros de mochilagem desta fantástica trip, e querida irmãzinha,

depois de mais de uma semana mergulhado de cabeça no coração da África, encontrei este cyber café aqui em Jinja, interior de Uganda e em frente à foz do rio Nilo...e vos escrevo pra dizer que estou maravilhosamente bem...

meus dias aqui na África estão sendo absolutamente fantásticos ! ! ! ... depois de passar uns dias na casa de um refugiado congolês nos subúrbios pobres de Nairóbi, fui parar nem sei direito como na remota tribo dos massais no kenya, onde passei dias correndo atrás de girafas, zebras e antílopes, com lanças e espadas e vivendo a vida tribal dos caras, dormindo em ocas, etc...e entre outras aventuras pelo kenya, terminei em grande estilo, fazendo um safári de bike com um amigo meu massai num parque nacional lindíssimo...

tô muito roots, andando há uma semana enrolado em cangas coloridas e carregando um cajado e uma espada de aço...e só sei que desde que cheguei na África, não vi NENHUM muzumgo (white man) além de mim...

ah, e hoje no meio de tudo coloquei uma criança na escola...É uma longa estória, mas, resumidamente, depois de passar o dia passeando por um vilarejo aqui de Uganda com um menino que, entre outras coisas me apresentou a sua família paupérrima, e de por acaso visitar uma escola publica e falar com o diretor, acabei que paguei pela matriculas, mensalidades e todas as despesas do menino ate o fim do ano, e me comprometi a, se ele me mandar o boletim dele, continuar pagando pelos próximos anos...

mas o melhor de tudo é que aqui na África to conseguindo por em pratica a viagem que sempre idealizei...hoje ficarei em hostel pela segunda vez desde que pisei no continente, todos os outros dias dormi e comi na casa de locais, gastando uns 2-3 dólares por dia, o que me permitiu a cada dia distribuir meu daily budget entre as pessoas que me hospedaram, alimentaram, etc...to muito feliz com isso, de conseguir estar vivendo grandes aventuras e realizando uma viagem de profunda imersão no continente africano, absolutamente não turística, e de forma totalmente sustentável, transferindo 80% dos meus gastos pra africanos pobres... e aqui com quase nada vc faz uma substancial diferença na vida das pessoas...esse amigo meu congolês, por exemplo, com 12 dólares paguei o aluguel mensal da casa da família dele, esse menino com 40 dólares garanti um ano escolar pra ele numa escola super legal, hoje dei 2 dólares pra uma mulher que me convidou pra conhecer a casa dela e ela se ajoelhou e quase chorou...

podia escrever horas sobre essa minha primeira semana aqui na áfrica, to realmente muito contente por tudo aqui estar superando minhas melhores expectativas...mas to escrevendo mesmo pra dar um sinal de vida, pois essa noite passei fazendo 4 baldeações pra atravessar do kenia pra Uganda durante a madrugada e andei o dia inteiro visitando dezenas de casas de agricultores, missões, escolas, etc., numa vila aleatória aqui no interior de Uganda...

tenho encontrado pessoas incríveis e fascinantes a cada dia que me apresentam a outras e de conexão em conexão vou penetrando aos poucos na alma da África... tenho arranjado contatos incríveis e, semana que vem, depois de prestar minhas homenagens às vitimas do genocídio de Ruanda e de sei-la-o-que-me-espera no Burundi, vou visitar um garimpo de diamantes e os pigmeus nas selvas do congo com o irmão de um amigo, um campo de refugiados na Tanzânia onde mora o tio de outro amigo que fiz aqui, tentar arrumar uma forma afordable de subir o kilimanjaro e então espero minha linda cris chegar em Dar Es Salaam pra mais uma lua-de-mel em grande estilo...

ta bom, um parágrafo sobre os dois melhores amigos que fiz no Kenya...

Alex Alembe. Tava no ultimo ano de engenharia em Uvira, sua cidade no Congo. Certa noite uma milícia invadiu sua casa. Mataram sua mãe e sua irmã mais nova, mas ele conseguiu fugir pela janela. Foi parar num campo de refugiados na Tanzânia, onde ficou por 4 anos, se casou com uma tanzaniana e teve 3 filhos. Se mudou pra um subúrbio de Nairóbi e passou os últimos anos trazendo ouro e diamantes de garimpos no Congo e revendo em outros países da East Africa. Conseguiu construir uma casa confortável, e nela alojar sua família e vários órfãos. Voltando de uma de suas viagens, assaltaram o ônibus onde estava e levaram suas maletas com tudo seu, dinheiro, diamantes e passaporte. Perdeu tudo. Se mudou com toda a família pra um casebre de 12m2. Mesmo assim, continua levando a cabo 3 projetos sociais, dando café da manha pra 20 crianças, amparando viúvas de vitimas de Aids e organizando um futebol todas as tardes. Ta juntando tudo o que pode pra se candidatar pra deputado provincial no congo nas próximas eleições. TIA. This is Africa.

Leonard. Massai cuja mãe me hospedou em sua casa em Iwatso Ogindong. Tava no ultimo ano de administração na universidade de Nairóbi. Depois de 3 anos de seca na terra dos massais, teve que largar a faculdade pra levar o gado que sobrou de sua família pra melhores pastagens. Andou 8 dias por 500 km levando 100 cabeças atravessando cidades, inclusive passando pelo aeroporto de Nairóbi. Luta pra preservação da cultura massai e sonha em casar com uma americana, de preferência gorda. Me batizou com um nome massai, Lemaya. Seu irmão, Brain, tem 20 anos e é respeitado na tribo. Aos 14 matou um leão e assim atingiu a maturidade. Aos 15 se casou com uma menina de 12 e outra de 13, que seus pais escolheram. Me deu sua espada de presente. TIA. This is Africa.

Fui. [...]

beijos,
Gabriel”